da Deutsche Welle (publicado na Folha de São Paulo (versão online), caderno Ilustrada, 19/09/2001 - 12h38min)
Acumulam-se as manifestações de indignação pelas declarações do compositor alemão Karlheinz Stockhausen sobre os atentados que destruíram o World Trade Center e parte do Pentágono. No domingo passado (16), numa entrevista coletiva em Hamburgo (Alemanha), o músico de 73 anos definira os ataques como "a maior obra de arte imaginável". A União das Orquestras Alemãs (DOV) considerou correta a decisão de cancelar os concertos que Stockhausen regeria em Hamburgo, pois isto poupou os músicos de uma situação "terrível, esquizofrênica". A insustentável alternativa teria sido "fingir que se pode simplesmente funcionar como artista e fazer música em conjunto com o compositor, com o coração e a mente, após um despropósito tão horrendo". Os membros da associação revelaram-se chocados com seu conceito de "arte", tão provocativo e catastrófico. Sua própria família está horrorizada. Majella Stockhausen-Riegelbauer declarou que deixará de usar o nome do pai. Ela justificou sua decisão: "O que meu pai disse tem traços fascistas, pois identifica crime com cultura". O filho caçula, Simon, concorda: "Ele perdeu toda noção de realidade. Ele vê o atentado puramente como música, da mesma forma como vê e analisa tudo em sua vida exclusivamente como músico". Com sua declaração, Karlheinz Stockhausen teria destruído a obra de toda uma vida. O compositor Wolfgang Rihm disse hoje à agência DDP, em Karlsruhe: "De tanto sonhar com extra-terrestres e o espaço sideral, ele parece que perdeu a relação com a realidade". Rihm é um dos compositores alemães mais requisitados de sua geração. Entre suas quase 150 obras estão as óperas "Jakob Lenz" (1977/78) e "Die Eroberung von Mexiko" (1992). Segundo Rihm, Stockhausen é fascinado pela logística e admira a pura eficência e precisão de uma estratégia. Para ele, as pessoas interessam a Stockhausen "apenas como receptores de sua arte", e agora, "de maneira suicida", ele também as expulsa de lá. Rihm concluiu: "É claro que ele não se colocou do lado dos terroristas. Mas perdeu qualquer medida, de maneira consternadora".
domingo, 16 de março de 2008
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